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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Levantamento de casos de violência de gênero do município de Mimoso do Sul- ES.
ANO 2012.



Através de uma pesquisa realizada na delegacia de policia Civil de Mimoso do Sul pode se constatar que são muitos os casos de violência que envolve mulheres e o maior numero de ocorrências são de mulheres pobres. Grande parte da mulher violentada faz o BO- Boletim de ocorrência más depois não volta para dar continuidade ao processo por diversos fatores envolventes como: medo, questões familiares e financeiras.
A elaboração dessa pesquisa se deu através de dados estatístico de janeiro   até maio do ano de 2012.












Fonte: MIMOSO DO SUL- ES- Delegacia de Policia Civil. Violência contra mulher . Inquérito Policial.2012


Postado por: Soraia Bertonceli 
                          Neise Alves de A. C. Silva

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Discriminação étnico/racial


      
      Não foi encontrado dado de notificação de casos de discriminação étnico/racial no município de Mimoso do Sul, ES.
        O racismo é crime inafiançável e imprescritível. Os casos mais comuns de discriminação racial cometidos contra negros são agressões verbais. Muitos dos casos de discriminação étnico/racial não são denunciados por desconhecimento de sua procedência enquanto crime. A vergonha de ter sofrido discriminação gera medo de represálias, precariedade no emprego ou desconhecimento dos direitos impedem as vítimas de discriminação racial de denunciar a sua situação, com agravante de a prova depender, muitas vezes, da sua palavra contra a do potencial agressor.
     Para combater o racismo, é preciso que a vítima não se cale por medo, timidez ou qualquer outro motivo. Existem diferentes formas de denunciar o racismo, a maneira mais comum é prestar queixa na delegacia policial mais próxima de sua cidade.
       É importante notificar discriminação étnico/racial, mesmo tendo dúvidas se o processo irá à frente. Temos que fazer valer os nossos direitos, não podemos nos calar quando sofremos uma injúria racial ou qualquer outro tipo de discriminação.  
         
Postado por: Neise Alves de A. C. Silva e Soraia Bertonceli

Diferenças entre os gêneros no mercado de trabalho



       Ao tratarmos sobre as possíveis diferenças entre os gêneros masculino e feminino um dos primeiros pontos que são levantados são a questão da intelectualidade e da sentimentalidade.
    Essa diferenciação para alguns é determinada biologicamente, para outros uma predisposição e, para terceiros, pode ainda ser simplesmente uma determinação cultural. No entanto, é evidente a olhos nus a existência de diferenças emocionais, o que por si sói já é capaz de explicar determinadas diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho.
         Ao analisar algumas pesquisas com relação aos setores trabalhistas fica evidente que as mulheres possuem maior participação, por exemplo, nas áreas de recursos humanos e educação, enquanto homens atuam preferencialmente nas áreas tecnológica, industrial e de engenharia. Em geral, homens são alocados em tarefas que envolvem cálculos, enquanto as mulheres são enquadradas em habilidades relacionais.
       Tangendo a questão trabalhista no que compete a gênero é válido apontar que, no Município de Mimoso do Sul, assim como em tantas outras diversas cidades brasileiras, há um determinado direcionamento de mulheres e de homens para determinados setores. Alega-se que o fato ocorra por não existir no município muitos segmentos de grandes indústrias e campo para capacitação. É comum em grandes centros a presença de mulheres em ocupações ditas masculinizadas. Talvez a cultura de interior seja o motivo pelo qual não encontremos mais mulheres em profissões como taxistas, advogadas, soldadoras, garis, motoristas ou contadoras em nossa cidade.
          Em nosso município, tendo dois ambientes de trabalho como exemplo fica evidente que em um escritório de contabilidade (ramo trabalhista que envolve cálculos) a presença de mulheres se resume apenas a possíveis clientes, onde, segundo relato de um freqüentador assíduo do escritório, o contador chefe já passou pela situação de poder contratar uma mulher e não o fez por opção própria e de nosso não conhecimento. Nosso inconsciente, porém, nos faz deduzir que tal acontecimento pode ser puramente uma opção pessoal ou, na pior das hipóteses, o exemplo vivo da crença na determinação cultural de que mulheres não são as mais indicadas para as áreas técnicas que envolvem cálculos.
         Em contrapartida, evidenciando a “exclusa” masculina e usando como exemplo uma das maiores lojas de roupas do município, pode ser constatado que somente mulheres, embora o proprietário da loja pertença ao gênero masculino, atuam como vendedoras, tendo em vista o carisma, a simpatia, a atenção e a afetividade dedicadas ao gênero feminino, o que, aparentemente, evidencia a crença de que as mulheres têm mais tolerância e empatia para enfrentar o vaivém de cliente e aceitam gastar mais tempo com a argumentação técnica no momento da venda. Outro exemplo onde prevalecem as mulheres são nos consultórios médicos e laboratórios de análises clínicas, ambientes onde é exigida uma relação mais humanizada do que técnica.
           A utilização de tais exemplos é capaz de evidenciar com clareza a suposta aptidão das mulheres para as atividades que envolvem emoção, afetividade e sensibilidade e a dos homens para as áreas sensíveis ao raciocínio constante.
         Analisando sobre outro ponto de vista, observam-se casos de discriminação também na área trabalhista. Em uma pesquisa realizada com algumas pessoas moradoras de Mimoso do Sul, houve um relato onde uma mulher negra à procura de emprego, entregou seu currículo em um estabelecimento. Foi prontamente informada pelo atendente que as vagas de faxineira já haviam sido preenchidas. O interessante é que o mesmo nem se deu ao trabalho de olhar o currículo e nem a mulher de falar para qual cargo estava se candidatando. Vê-se nitidamente um racismo e preconceito enraizado no pensamento cotidiano. Em outro caso ocorrido em uma cidade vizinha, um edital estabelecia 3 vagas para determinado cargo. A segunda colocada não foi chamada por ser mulher. A desculpa era que a mesma não estava apta para o cargo que exigia força física. Lembrando que o edital não mencionava nada de restritivo. Esses são alguns casos de muitos que ficam omissos aos olhos da sociedade mimosense.



Texto/Pesquisa: Evylane Silva Medina/Alessandra Fabres Cunha
Postado por: Evylane Silva Medina/Alessandra Fabres Cunha

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Democracia Racial



 
 A democracia racial existe ou se trata de um mito?


No Brasil, a história de seus conflitos e problemas envolveu bem mais do que a formação de classes sociais distintas por sua condição material. Nas origens da sociedade colonial, o nosso país ficou marcado pela questão do racismo e, especificamente, pela exclusão dos negros. Mais que uma simples herança de nosso passado, essa problemática racial toca o nosso dia a dia de diferentes formas.
Em nossa cultura poderíamos enumerar o vasto número de piadas e termos que mostram como a distinção racial é algo corrente em nosso cotidiano. Quando alguém autodefine que sua pele é negra, muitos se sentem deslocados. Parece ter sido dito algum tipo de termo extremista. Talvez chegamos a pensar que alguém só é negro quando tem pele “muito escura”. Com certeza, esse tipo de estranhamento e pensamento não é misteriosamente inexplicável. O desconforto, na verdade, denuncia nossa indefinição mediante a ideia da diversidade racial.
É bem verdade que o conceito de raça em si é inconsistente, já que do ponto de vista científico nenhum indivíduo da mesma espécie possui características biológicas (ou psicológicas) singulares. Porém, o saber racional nem sempre controla nossos valores e práticas culturais. A fenotipia do indivíduo acaba formando uma série de distinções que surgem no movimento de experiências históricas que se configuraram ao longo dos anos. Seja no Brasil ou em qualquer sociedade, os valores da nossa cultura não reproduzem integralmente as ideias da nossa ciência.
Dessa maneira, é no passado onde podemos levantar as questões sobre como o brasileiro lida com a questão racial. A escravidão africana instituída em solo brasileiro, mesmo sendo justificada por preceitos de ordem religiosa, perpetuou uma ideia corrente onde as tarefas braçais e subalternas são de responsabilidade dos negros. O branco, europeu e civilizado, tinha como papel, no ambiente colonial, liderar e conduzir as ações a serem desenvolvidas. Em outras palavras, uns (brancos) nasceram para o mando, e outros (negros) para a obediência.
No entanto, também devemos levar em consideração que o nosso racismo veio acompanhado de seu contraditório: a miscigenação. Colocada por uns como uma estratégia de ocupação, a miscigenação questiona se realmente somos ou não pertencentes a uma cultura racista. Para outros, o mestiço definitivamente comprova que o enlace sexual entre os diferentes atesta que nosso país não é racista. Surge então o mito da chamada democracia racial.
Sistematizado na obra “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, o conceito de democracia racial coloca a escravidão para fora da simples ótica da dominação. A condição do escravo, nessa obra, é historicamente articulada com relatos e dados onde os escravos vivem situações diferentes do trabalho compulsório nas casas e lavouras. De fato, muitos escravos viveram situações em que desfrutavam de certo conforto material ou ocupavam posições de confiança e prestígio na hierarquia da sociedade colonial. Os próprios documentos utilizados na obra de Freyre apontam essa tendência.
 Porém, a miscigenação não exclui os preconceitos. Nossa última constituição coloca a discriminação racial como um crime inafiançável. Entre nossas discussões proferimos, ao mesmo tempo, horror ao racismo e admitimos publicamente que o Brasil é um país racista. Tal contradição indica que nosso racismo é velado e, nem por isso, pulsante. Queremos ter um discurso sobre o negro, mas não vemos a urgência de algum tipo de mobilização a favor da resolução desse problema.
 Ultimamente, os sistemas de cotas e a criação de um ministério voltado para essa única questão demonstram o tamanho do nosso problema. Ainda aceitamos distinguir o negro do moreno, em uma aquarela de tons onde o último ocupa uma situação melhor que a do primeiro. Desta maneira, criamos a estranha situação onde “todos os outros podem ser racistas, menos eu... é claro!”. Isso nos indica que o alcance da democracia é um assunto tão difícil e complexo como a nossa relação com o negro no Brasil.


Postado por: Neise Alves de Araujo Cardoso da Silva